domingo, 24 de abril de 2011

Caso Clínico - Mandíbula deslocada

Paciente MSP, 21 anos, após uma briga de bar, percebeu que sua mandíbula estava completamente deslocada para o lado esquerdo do corpo, o mesmo só buscou tratamento quase (1) um ano depois, chegando a meu consultório nas condições das fotos abaixo:






Após as fotos, estudei muito, levei o caso ao conhecimento de professores da graduação e amigos que já tivessem tratado algo parecido, mas não consegui nada de concreto. Vasculhando a Internet, à procura de uma solução para o desafio, me deparei com um estudo de caso, bem parecido com essa bomba que me apareceu; nele o profissional utilizou um dispoisitivo simples e muito usado para registros da DVO (Dimensão Vertical de Oclusão), que consiste em tirar toda e qualquer oclusão, colocando os dentes em máxima intercuspidação (os dentes da frente ocluem topo a topo), com uma bola de acrílico auto polimerizável. Depois que o acrílico endurece, o paciente não consegue movimentar a mandíbula, a menos que o dispositivo chamado "Jig" seja retirado. Em uma conversa com o paciente, sugeri tentarmos resolver o problema com um "Jig". No estudo que encontrei, chamavam de "Platô Modificado de Lúcia", ele é bem maior que um Jig usado para registros, abrange toda a bateria anterior, tanto superior quanto inferior, se extendendo até os pré molares. A mandíbula é guiada até o ponto que o dentista deseja movimentar, o acrílico é colocado nos dentes e mantido ali até sua presa final. Quando pronto, é preciso polir e dar certa lisura à superfície, e o paciente é instruído a manter o aparelho untado com óleo mineral ou glicerina, devendo ser usado por até 6 horas seguidas. Nos primeiros dias do tratamento se faz necessário administrar miorrelaxante de 6 em 6 horas, que pode ser removido após uma semana, e o paciente já suportará bem a movimentação do dispositivo. Assim foi feito. O paciente aceitou o tratamento, ao qual demos início em março do ano de 2010. Após um ano de trocas quadrimestrais do aparelho, o paciente se encontra na seguinte situação:




Desde o princípio do tratamento foi proposta uma ortodontia e, possivelmente, uma cirurgia para diminuir o tamanho da mandíbula. Recentemente, o paciente passou pela consulta com o profissional que será o responsável pelo tratamento ortodôntico, e foi resolvido que MSP ficará com o Jig por mais 6 meses, quando será possível a cirurgia.




O aparelho passa por manutenções quinzenais e, quando necessário, faço sua troca, o que geralmente acontece 1 vez por mês, como se fez necessário na última visita dele ao meu consultório.




O aparelho é bem simples, de fácil confecção e manutenção, ele só está ativo enquanto "puxa a mandíbula". Seu uso deve ter uma constância de pelo menos 6 horas diárias, podendo ser substituído pelo uso noturno: um intervalo de 6 a 7 horas horas de sono contínuo.
 Fotos são tiradas em períodos trimestrais, porque as diferenças são mais evidentes e, para o controle do tratamento, as consultas quinzenais se fazem necessárias, devido a eventuais dores. Para acompanhar o uso do dispositivo, por vezes são necessários desgastes e reposições do acrílico, para ativá-lo novamente.



A diferença é bastante visível quando o paciente está usando o aparelho, ele "puxa a mandíbula", sem exercer força, e seu uso contínuo dita a qualidade e o tempo que deverá ser mantido o tratamento. Em casos como o de MSP, é preciso complementar o trabalho com aparelho ortodôntico, para reposicionar os dentes nas arcadas, e uma cirurgia para a redução da manbíbula.



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